Cenário pós-pandemia Felipe Tringoni 

 

Os impactos da pandemia Covid-19 são implacáveis em todos os setores da economia. Muitos estão em baixa (como Imobiliário, Automotivo e Turismo, por exemplo), outros em alta (Saúde, Alimentação e Educação), e observamos tendências comuns a todos eles – ligadas principalmente à transformação digital acelerada dos serviços nos últimos meses. Esse cenário sem precedentes foi o estopim para que essa digitalização, estimada em cinco anos em muitas empresas, acontecesse forçadamente em cerca de dois meses. 

Entre tantas incertezas sobre o futuro e a retomada, um fato é consumado: os modelos de negócios precisam ser repensados de acordo com as exigências do momento atual. Mas quais são os principais desafios impostos pela crise às companhias? E como buscar modelos organizacionais mais adequados ao já famoso “novo normal”? 

Aprendizado, adaptação e resiliência  

Divulgada recentemente, uma pesquisa desenvolvida pela BRQ – empresa especializada em desafios de transformação digital no mercado corporativo, desde a busca por profissionais capacitados até a criação de soluções e experiências inovadoras – ouviu 78 CEOs, presidentes e membros dos conselhos administrativos e traz dados relevantes. Cerca de 85% das empresas deverão ter modelos de negócios diferentes a partir de agora, sendo que quase um terço delas serão radicalmente diferentes.  

Nesse cenário, algumas chaves estão na capacidade de aprendizado, adaptação e resiliência para lidar com adversidades. 

Com relação a prioridades nos níveis pessoal e familiar, as mais indicadas no levantamento foram autodesenvolvimento; novas habilidades necessárias para o momento atual; dedicar mais tempo aos amigos; e dedicar mais recursos/energia/tempo em ações voltadas a diversidade e inclusão.  

Quando se fala da empresa, as prioridades mais citadas foram: capacitar a liderança com novas competências; executar a aceleração digital no modelo de negócios atual; promover a cultura correta; e, por fim, desenvolver novos métodos.  

Quanto ao modelo organizacional de 2021, mais de 50% dos CEOs disseram que sua operação “terá muitos ajustes” ou “será completamente redesenhada”, devido ao aprendizado com a nova forma de trabalhar e às novas necessidades dos clientes.  

Apenas 7% dos CEOs disseram que sua estrutura organizacional permanecerá igual. E com relação a desigualdade social, diversidade e inclusão, os CEOs concordam que investir nesses temas gera retorno em inovação e atração de talentos. 

O papel das lideranças no momento atual

Inovação é pauta fundamental para todas as empresas e ganhou novo senso de urgência com a pandemia. O papel dos líderes na condução desse processo é chave, engajando equipes na identificação de oportunidades não convencionais e em relacionamentos cada vez mais intensos com os clientes. 

A nova cultura do home office impõe a substituição da hierarquia e das formas tradicionais de gestão por mais autonomia e confiança nos times. Da mesma forma que uma porção de água ferve por inteiro, a inovação deve também “ferver” igualmente todas as áreas, equipes e a cultura – em lógica próxima ao modelo das startups, mais horizontal e ágil. Para empresas tradicionais, com organizações mais hierárquicas, esse é um desafio e tanto. 

Por isso, empresas atentas à inevitável digitalização precisam de modelos organizacionais adequados e do comportamento correto das lideranças para “ferver a água de baixo para cima”: fazer com que toda organização, bottom-up, acelere na direção da estratégia escolhida. 

 

felipe tringon - Quais são as principais tendências organizacionais no cenário pós-pandemia?

Felipe Tringoni é jornalista e produtor de conteúdo especializado em cultura, negócios e inovação. Tem passagens por Terra, TV Cultura e Estadão. Hoje trabalha com comunicação interna no ecossistema Inovabra, do Bradesco. 

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