Por Claudio Moreira

 

Em seu livro, “As Conexões Ocultas”, o físico austríaco Fritjof Capra, afirma que  na natureza os organismos mudam mas não sabem por quê. É o ambiente que, no futuro, determina quem está mais adaptado e quem não vai sobreviver, acontecendo algo semelhante nas empresas. Nós projetamos coisas e depois é o ambiente econômico, político, o mercado, entre outros, que dizem se as soluções são viáveis ou não.

Contexto este que pode nos levar a pensar que Capra é um inimigo do planejamento e da pró-atividade, mas este início de texto foi pinçado do todo apenas para dar o mote deste artigo, portanto não deve ser visto como tal. Na verdade, Capra defende que a empresa “viva” oferece mais condições de encontrar soluções, que ao melhorarmos a qualidade das redes de amizade e aliança nas empresas, aumentamos a chance de nos adaptarmos ao ambiente. Mas a intenção aqui é outra.

Faz décadas que as lideranças empresariais utilizam técnicas de planejamento para minorar os efeitos do ambiente sobre as corporações, diversos profissionais dedicam-se a estudar as condições de mercado e definir suas tendências, diminuindo o risco de eventuais fracassos e adaptando-se melhor aos inevitáveis percalços da atividade empresarial.

Nunca se planejou tanto

Atualmente fala-se em plano de negócios, planejamento financeiro, plano de comunicação corporativa, tudo de forma ágil, embalado em novas metodologias. Curiosamente, para um grande número de empresas, esta consciência planejadora ainda não alcançou a área de educação corporativa, que continua sendo uma das primeiras a sofrer cortes orçamentários ao menor sinal de nuvens carregadas no horizonte e continua sendo vítima de um sofrível planejamento (quando este existe). 

Sabemos que a importância de ter equipes preparadas é inquestionável e que a necessidade de treiná-las é tão estratégico quanto às finanças, a comunicação ou o maquinário da empresa, entretanto, ainda se enxerga treinamentos sob uma ótica um tanto quanto disforme.

  • Treinamento é visto como concorrente do trabalho, assim sendo, raramente recebe a atenção adequada por parte da diretoria que deveria atuar antes e após os programas, dizendo quais são suas expectativas em relação ao time, problemas a resolver, etc. E, depois, cobrando a aplicação do que foi visto.
  • Muitas vezes o treinamento é encarado como remédio eficaz para qualquer situação de baixo desempenho de pessoas, que sempre que algo não é feito ou é malfeito, é porque a pessoa não sabe fazê-lo.Um exemplo disto é quando relatórios de uma determinada área não são preparados a tempo, não são claros e raramente são consultados, os gerentes da área solicitam um curso de redação de relatórios para sua área.Quando após a realização do curso o problema persiste, a ineficiência é sempre encarada como culpa do treinamento.
  • Em vários casos, treinamento e planos estratégicos da empresa não se cruzam, o que leva a aplicação equivocada dos diagnósticos (quando estes existem), ao treinamento para “apagar incêndio” (as vendas despencaram, vamos treinar os vendedores urgentemente!!) ou à escolha inadequada do método (que geralmente segue a última novidade do mercado).
  • Desconhecimento dos conceitos andragógicos envolvidos na confecção de um programa de treinamento, levando os profissionais envolvidos a escolher o método a ser aplicado considerando apenas o custo final e a tecnologia envolvida.
  • Esta visão contribui para que a atividade de treinamento seja vista como algo secundário em algumas organizações, que os esforços envolvidos em tais programas, sejam rapidamente anulados pela rotina diária.

Como num organismo vivo, treinamento deve fazer parte da estrutura corporal das empresas, algo tão importante para sua sobrevivência quanto o cérebro para nossos corpos. Hoje o acesso à modernas ferramentas, técnicas e metodologias de aprendizagem organizacional tornam essa missão deliciosamente dinâmica.

Aproveitemos então os bons ventos e naveguemos nas águas refrescantes da educação corporativa.

 

cláudio.jpg

Claudio Moreira é consultor de Educação Corporativa e trainer de equipes de alta performance, tem mais de 50.000 profissionais capacitados em sua trajetória profissional. É especialista em treinamentos de times de Serviços, Food Service e Varejo. É professor de cursos in company na Conquer, é professor em cursos MBA em no IPOG ena Escola Conquer. É mestre em Tecnologia Educacional, tem MBA Service Management (IBMEC) e MBA em Marketing (Fundação Getúlio Vargas). Colunista EA “Trilhos” de Aprendizagem.

 

Fale com o editor:

eamagazine@eamagazine.com.br