Por Claudio Moreira

 

“Meu nome é João*, tenho 25 anos de empresa, vou me aposentar ano que vem e estou aqui porque o RH mandou. Nada do que você vai falar vai fazer diferença na minha vida”.

E foi assim, às oito da manhã de um dia perdido no passado que começou meu curso de Processo Decisório numa empresa cliente. A resposta veio durante uma tradicional dinâmica de apresentação da turma.

Sim, isso é uma tremenda saia justa, da qual eu consegui me desvencilhar e que no final teve um desfecho favorável com o João participando do curso ativamente.

E porque me lembrei disso agora? Recebi uma postagem no Instagram que era uma cena do desenho Toy Story, onde o Porquinho (aquele cofrinho de porquinho) passa freneticamente as telas de um curso que a empresa tinha mandado ele fazer (era uma paródia, claro).

Os comentários da postagem então são um caso à parte:

  • “Faço lentamente, quanto mais cursos menos eu trabalho kkkkkk”
  • “E tem curso na empresa de vcs?” (sic)
  • “Eu abrindo várias abas pra passar vários vídeos ao mesmo tempo”

Investimento em pessoas  

Acho que esses três comentários já servem para trazer à tona a relação, por vezes conflituosa, entre quem planeja, compra e coordena treinamentos nas empresas e quem é chamado para cursá-los.

Em termos de investimento financeiro, a educação corporativa hoje é menos custosa do que há algumas décadas, fruto do avanço das tecnologias que permitiram a quebra da ditadura do treinamento presencial. Hoje com vídeos, papers, cursos online gratuitos de excelente qualidade, benchmarkings, quizzes, é possível montar uma trilha de aprendizagem bastante efetiva e disseminar conhecimento na empresa.

Em termos de investimento de tempo….

Bem, tempo é tempo, 24h são 24h, hoje, ontem, no futuro, com mais ou menos tecnologia. O que mudou foi nosso acesso aos conteúdos, que passaram em alguns casos a disputar agendas com as tarefas cotidianas.

Vem então minha pergunta: número de participantes ou engajamento efetivo? 

Número de horas dedicadas ou aprendizagem?

Nesses muitos anos de estrada, poucas vezes deparei com um participante de treinamentos tão explícito na sua contrariedade em participar de um workshop. Esse é e será sempre um conflito que o RH deverá administrar com muita maestria, para que a preciosa oportunidade de aprender não seja transformada num martírio para quem tenta equilibrar uma agenda lotada de tarefas com horas e cursos.

O que fazer então?

Uma abordagem positiva sempre ajuda! Focar nos benefícios pessoais e profissionais que os funcionários podem obter com os treinamentos é uma maneira eficaz de motivá-los. Destacar como o aprendizado pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades, abrir novas

oportunidades de carreira e até mesmo melhorar o ambiente de trabalho. Além disso, envolver os colaboradores no processo de escolha dos treinamentos pode aumentar o interesse deles, mostrando que a empresa valoriza suas opiniões e necessidades de desenvolvimento. 

O RH pode criar uma cultura que celebra o aprendizado contínuo, tornando-o parte integrante da cultura organizacional. 

E, é claro, reconhecer e recompensar os funcionários por seu engajamento nos treinamentos pode ser um estímulo adicional.

Mas Claudio, sempre teremos aqueles treinamentos um pouco menos dinâmicos ou divertidos, cuja participação será obrigatória.

Sim, assim como escovar os dentes não era algo divertido quando éramos crianças (tomava nosso tempo de brincar) e nenhum pai ou mãe negligenciou os cuidados com nossos dentinhos. Algumas mães operavam na base da ameaça de castigo, algumas usavam a criatividade para tornar aquele momento mais leve.

Sim, podemos tornar o aprendizado corporativo mais leve.

Ah, criatividade é a chave aqui! Que tal transformar os treinamentos em experiências envolventes e até divertidas? 

Pode ser algo como “Quintas de Aprendizagem” com sessões interativas, jogos ou até mesmo competições amigáveis entre equipes. 

Outra ideia é criar vídeos curtos e envolventes que mostram os benefícios práticos dos treinamentos, usando um toque de humor ou histórias inspiradoras.

Promover desafios de aprendizado, onde os funcionários possam ganhar distintivos ou prêmios simbólicos, pode criar uma atmosfera mais lúdica. E que tal criar uma espécie de “clube do livro”, mas para cursos online? O(a)s colegas podem compartilhar insights e aprendizados, tornando a experiência mais social e colaborativa.

Além disso, personalizar os treinamentos de acordo com as metas individuais dos funcionários pode ser uma abordagem poderosa. Mostre como o desenvolvimento pessoal deles se alinha com os objetivos da empresa.

Horas e número de participantes são métricas importantes, mas presença engajada de corpo e alma? Isso é o Santo Graal da educação corporativa.

Busquemos!

 

*João é um nome fictício

 

 

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Claudio Moreira é consultor de Educação Corporativa e trainner de equipes de alta performance, tem mais de 50.000 profissionais capacitados em sua trajetória profissional. É especialista em treinamentos de times de Serviços, Food Service e Varejo. É professor de cursos In Company na Conquer, é professor em cursos MBA no IPOG e na Escola Conquer. É mestre em Tecnologia Educacional, tem MBA Service Management (IBMEC) e MBA em Marketing (Fundação Getúlio Vargas). Colunista EA “Trilhos de Aprendizagem”.

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