Por Claudio Moreira
“Achei essa ferramenta que você trouxe interessante, mas um tanto complexa então fiz o exercício proposto usando a IA”.
Existe um momento em sala que vale mais do que qualquer slide.
Essa frase foi dita por um participante durante um treinamento de tomada de decisão, quando propus um exercício usando o Diamante Estratégico de Hambrick e Fredrickson, que é uma ferramenta robusta para organizar escolhas com clareza. A ideia era simples: estruturar perguntas que direcionassem melhor as decisões. Até aí, tudo dentro do esperado.
Na volta do exercício, este participante tomou uma atitude que, para muita gente, poderia soar como resistência. Veja bem, ele não ignorou o desafio, ele resolveu do jeito que julgou mais eficiente.
Sinceramente amigo/amiga leitor(a), eu achei ÓTIMO!
Durante muito tempo, nós, facilitadore(a)s, consultore(a)s, treinadore(a)s, nos apoiamos nas ferramentas como se fossem o centro do processo, como se dominar o método fosse o objetivo final, mas não é.
Ferramenta não é fim. É meio.
E, às vezes, nem é o melhor meio disponível naquele contexto.
Como assim, Claudio? Você trouxe a ferramenta e não vai usar?
Cá em entre meus botões, se o objetivo é melhorar a tomada de decisão, pouco importa se isso acontece via Diamante Estratégico, uma conversa bem conduzida ou o uso inteligente de uma IA. O que importa é a qualidade da decisão gerada. Clareza, critério, consequência. O resto é acessório.
Sim, foi muito bacana o grupo analisar o uso da ferramenta e tentar resolver a questão proposta com ela, mas é bacana também eu ouvir que a ferramenta não é o suprassumo. Aliás, nenhuma é!
Isso exigiu de mim um certo desapego, porque, no fundo, existe um ego silencioso quando alguém “não usa a ferramenta que eu ensinei”. Só que o papel de quem desenvolve pessoas não é defender método, é ampliar repertório e estimular autonomia.
E autonomia, hoje, passa inevitavelmente pela capacidade de escolher como resolver um problema, inclusive escolhendo não usar aquilo que foi apresentado, desde que exista intenção, critério e RESPONSABILIDADE na escolha.
Se a IA, uma conversa ou uma ferramenta clássica ajudarem nisso, ótimo.
Meu papel não é criar dependência de método, é formar gente capaz de pensar, decidir e agir bem, com ou sem ferramenta.
Talvez o novo papel de quem está à frente de uma sala não seja mais o de ensinar ferramentas, mas o de ajudar as pessoas a pensarem melhor, usando qualquer recurso disponível. Até porque, no fim do dia, o mercado não premia quem usa a ferramenta certa. Premia quem toma decisões melhores.

Claudio Moreira é consultor de Educação Corporativa e trainer de equipes de alta performance, tem mais de 50.000 profissionais capacitados em sua trajetória profissional. É especialista em treinamentos de times de Serviços, Food Service e Varejo. É professor de cursos In Company na Conquer, é professor em cursos MBA no IPOG e na Escola Conquer. É mestre em Tecnologia Educacional, tem MBA Service Management (IBMEC) e MBA em Marketing (Fundação Getúlio Vargas). Colunista EA “Trilhos de Aprendizagem”.
https://www.linkedin.com/in/profclaudiomoreira/
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