Por Paulo Augustinho

 

Nos dias de hoje, é comum ouvir empregadores e gestores expressarem comentários como “os talentos de hoje não querem trabalhar; estão muito seletivos, querem facilidades, almejam promoções rápidas nos primeiros anos de trabalho”, entre outras afirmações. Mas será que essa percepção reflete totalmente a realidade? Certamente não. O que realmente falta é um entendimento profundo das diferenças geracionais.

Se a sua empresa espera que os talentos da minha Geração Y ou Millennials, permaneçam décadas no mesmo cargo, sinto informar que isso não faz parte do nosso perfil profissional.  As prioridades mudaram não apenas em relação ao tratamento no ambiente de trabalho, mas também em termos de qualidade de vida, valorização e protagonismo próprio.

Não basta encher a empresa de salas de jogos ou adotar as cores do arco-íris LGBTQIAP+, por exemplo para ter uma marca empregadora atrativa.

Esses profissionais valorizam o pertencimento, mas antes de tudo, desejam ver as práticas que valorizam sendo implementadas, não apenas como um movimento de marketing institucional.

Há muitos profissionais incríveis ingressando no mercado, mas muitos deles se sentem perdidos, justamente por serem incompreendidos, como demonstram as falas mencionadas no início deste artigo. É hora de aprofundar esse entendimento, questionando: o que estamos fazendo hoje para atrair e reter os talentos atuais, e como podemos nos preparar para o perfil profissional que se desenrolará no futuro?

O artigo cobrirá os seguintes tópicos principais:

  • Geração Millennials no mundo profissional: ambição, colaboração e equilíbrio
  • Promovendo culturas empresariais inclusivas e humanas para os Millennials
  • Transparência: o fundamento essencial no recrutamento e seleção para os Millenials
  1. Geração Millennials no mundo profissional: ambição, colaboração e equilíbrio.

Os Millennials representam uma força significativa no mercado de trabalho atual, trazendo consigo uma série de características distintas que moldam a forma como nos envolvemos com as empresas e as expectativas que temos delas.

Em primeiro lugar, somos reconhecidos pelo nosso uso constante da tecnologia. Para nós, a tecnologia não é apenas uma ferramenta, é uma aliada essencial em todas as situações de demandas organizacionais. Estamos sempre buscando maneiras de aproveitar as novas tecnologias ao nosso favor, o que nos torna habilidosos em realizar múltiplas tarefas simultaneamente, aumentando nossa eficiência e produtividade.

Outro aspecto fundamental da nossa geração é a colaboração.

Para nós, a cultura organizacional colaborativa é essencial. Ambientes que promovem o compartilhamento de ideias, o trabalho em equipe e a valorização das contribuições individuais são altamente atrativos. Acreditamos que juntos somos mais fortes e capazes de alcançar resultados extraordinários.

Desafiando estereótipos e compreendendo as necessidades da Geração Y

Nossa ambição é outra característica marcante.

  • Buscamos progressão rápida em nossas carreiras, mas não à custa de tudo.
  • Valorizamos o aprendizado contínuo e a responsabilidade em nossas funções.
  • Queremos ser desafiados constantemente, mas de forma realista e alcançável.
  • Metas desafiadoras nos motivam, mas também reconhecemos a importância de um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal.

Por falar em equilíbrio, este é um ponto crucial para nós. Não apenas desejamos, mas precisamos de um equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Valorizamos empresas que reconhecem essa necessidade e oferecem benefícios que a promovam, como flexibilidade de horários, programas de bem-estar e apoio à família. A recusa de ofertas de emprego com salários atrativos se não estiverem acompanhados desses benefícios é uma prática comum entre nós.

Além disso, temos uma forte inclinação para causas sociais.

Preferimos empresas que considerem não apenas seus lucros, mas também as reais necessidades da sociedade. Questões de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) são particularmente importantes para nós, e valorizamos organizações que demonstram um compromisso genuíno com esses princípios.

Por fim, nós Millennials, desejamos ser vistos como colaboradores engajados e motivados, prontos para contribuir e alcançar os objetivos organizacionais. Queremos ser parte de empresas que nos abracem, reconhecendo nossas habilidades e valores, e que nos permitam crescer e prosperar em um ambiente que valoriza não apenas o trabalho, mas também a qualidade de vida e o impacto social positivo.

  1. Promovendo culturas empresariais inclusivas e humanas para os Millennials.

Culturas empresariais engessadas não são ambientes aos quais tendemos a nos vincular. Uma cultura atrativa é aquela que fomenta diariamente relações humanas, pensadas genuinamente para as pessoas.

Para nós, Millennials, culturas organizacionais que abrem espaço para preconceitos dos mais variados tipos, como racial, capacitismos, ageismo, homofobia, e assim por diante, são ambientes vistos como inseguros. Pregamos e queremos espaços onde todos tenham a igualdade de oportunidades, respeitando a diversidade e tratando as pessoas com equidade, reconhecendo suas diferenças.

Se sua empresa quer ser atrativa, precisa começar a olhar para a própria cultura disseminada no dia a dia. Mudar uma cultura não é um processo que ocorre da noite para o dia, mas isso não significa que não seja possível fazê-lo.

Investir em uma cultura inclusiva e humana é essencial para atrair e reter talentos da nossa geração.

Isso envolve políticas claras contra discriminação, programas de conscientização e treinamento para todos os funcionários, bem como a promoção de uma cultura de respeito, empatia e aceitação.

Lembramos também que a diversidade vai além das aparências. Incluir diferentes perspectivas, experiências e habilidades enriquece o ambiente de trabalho e impulsiona a inovação. Portanto, é fundamental criar um ambiente onde todas as vozes sejam ouvidas e valorizadas.

As empresas que priorizam uma cultura inclusiva e humana não apenas atraem os Millennials, mas também colhem os benefícios de equipes mais engajadas, criativas e produtivas. É um investimento que vale a pena para o presente e o futuro da organização.

  1. Transparência: o fundamento essencial no recrutamento e seleção para os millenials.

Transparência não deveria ser um diferencial quando pensamos em um processo de recrutamento e seleção. Comunicar e oferecer o que não será capaz de entregar enquanto empresa é frustrante para um talento e negativo para seu posicionamento enquanto empregador no mercado.

Não se trata apenas de comunicar salário, mas sim de comunicar expectativas, cultura, demanda de trabalho e tudo aquilo que é necessário para que haja transparência, conforme iniciamos este tópico.

A autenticidade de sua movimentação empresarial tende a despertar interesse para nós, uma vez que entendemos a importância dessa prática para outros pontos que consideramos essenciais para um trabalho de valor.

Por isso, antes de avançar, pense em como as coisas estão sendo feitas, comunicadas e divulgadas.

Transparência no recrutamento e seleção não apenas constrói confiança, mas também atrai os talentos certos para sua empresa, que valorizam a honestidade e a clareza desde o primeiro contato. É uma prática que contribui não apenas para a reputação da empresa, mas também para a satisfação e engajamento dos funcionários.

 

Paulo Augustinho (Colunista)

Paulo Augustinho é bacharel em Administração de Empresas, especialista em Gestão de Pessoas pela PUC/MG, cursa pós-graduação em Psicologia Organizacional, Direito do Trabalho e Previdenciário. Como especialista em Carreira e Recolocação, recrutador, palestrante, escritor e colunista, impacta no ingresso de centenas de profissionais em empresas nacionais e multinacionais. É RH Influencer, integra o iBest RH 20+ 2023, é LinkedIn Top Voice Carreira 2023 e Top 100 Influenciadores RH do RH Summit. Colunista EA “Talentos do Futuro”.

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