Por João Casarri Neto

A pirâmide populacional brasileira, mostra que a população 50+ já supera os 20-, e já é praticamente ¼ da população brasileira.

Os avanços da medicina, associados com a informação sobre os hábitos de vida saudáveis, hoje facilmente acessados através das redes sociais, está fazendo com que vivamos mais. E não só estamos vivendo mais, como estamos vivendo melhor.
A tecnologia tem nos permitido manter nossos aprendizados em dia, além de poder aplicá-los a uma gama maior de pessoas, através de conteúdos disponibilizados online.

Se antes fazíamos um treinamento presencial, ele estava disponível a um número limitado de pessoas. Hoje, através das várias plataformas de conteúdo online, podemos atingir milhares de pessoas em qualquer canto do mundo.

E os “prateados” tem sabido aproveitar, e muito bem, a tecnologia.

Em que pese o fato de alguns ainda nos acharem ultrapassados em relação ao uso da tecnologia, nossa turma tem mostrado que isso é uma balela das grandes. Temos muitos 50+ despontando como influencers nas diversas redes sociais.

E neste quesito posso falar da minha própria experiência em criar aos 65 anos, um canal no Youtube que já tem mais de 100 lives gravadas sempre acompanhado por profissionais de várias especialidades, além de mais recentemente ser convidado para ser Embaixador de Inovação e Tecnologia da HUBRH+, e Head de Liderança da ComunicaRH Brasil, duas plataformas que tem como missão revolucionar a forma de atuação dos RHs.

Já são inúmeras as empresas que se voltaram para esse público, e recentemente um grande banco resolveu apostar na turma 50+, fazendo o remake da gravação VINTE E POUCOS ANOS, do cantor Fábio Júnior, onde agora o refrão diz “Quero viver bem mais que meus cinquenta e tantos anos…”.

Em entrevista o próprio artista diz que “Somos jovens a bem mais tempo que vocês”.

A psicóloga e consultora na área de Diversidade Etária, Fran Winandy, parceira da plataforma Maturi, empresa voltada para recolocação de profissionais 50+, em um painel de debate sobre o ageismo para os funcionários da Brasilprev, disse:

“A pergunta que sempre faço é a seguinte: se um idoso pode ser meu cliente, por que não pode ser meu funcionário? E mais, se quero desenhar produtos e serviços para clientes maduros, nada mais eficaz do que ter o olhar de outro maduro no time responsável por isso.”

Vejam este outro exemplo.

Natural de Cachoeiro de Minas, mas vivendo atualmente em Pouso Alegre – MG, o Sr. José Bernardo da Silva, carinhosamente conhecido como Vô Bernardo, começa sua rotina no supermercado onde trabalha, logo cedo, e apesar de ter recém- completado 104 anos de idade, diz que não pensa em nenhum momento em se aposentar. Essa determinação mostra que o trabalho precisa ser encarado como uma missão e não como um fardo.

Vô Bernardo é uma inspiração para os seus colegas de trabalho, muito mais novos do que ele, para quem é um exemplo de vida e profissionalismo.

Ninguém perde suas competências e habilidades de um dia para o outro, então a pergunta que faço é a seguinte: porque muitas empresas demitem seus funcionários quando atingem 50 ou 60 anos, ou porque limitam a idade a 40 anos para novas admissões?

Se não é falta de experiência, se não é falta de conhecimento e habilidades, se não é falta de comprometimento (aliás, isso os 50+ tem de sobra) por que então as empresas impõem barreiras etárias para a contratação dos seus profissionais?

A avaliação mais criteriosa das ações, a fala mais moderada nas negociações, o atalho – sem comprometimento do resultado – na solução de problemas, fazem dos profissionais 50+ os melhores mentores de desenvolvimento das equipes.

Envelhecer faz parte do processo natural do ser humano, já “ser velho” é uma opção de cada um, e pelo visto, estamos envelhecendo sim, mas estamos muito longe de nos tornarmos velhos.

 

joao casarri neto - Os prateados tech

João Casarri Neto é economista, consultor de RH/TI, analista comportamental DISC, coach, mentor, treinador de líderes, e Practitioner PNL. Autor do livro “Os 5 Princípios da Resiliência”, é também criador do programa “Sou Líder, e Agora?” para ajudar líderes em início de carreira. É Embaixador de Inovação e Tecnologia da Associação Brasileira dos Profissionais de RH (HUBRH+ABPRH).
Colunista EA “Geração 50+”.

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