Por Ana Paula Educadora

 

A educação caminha a passos lentos, em relação às possibilidades em ser utilitária das ferramentas apresentadas pela inteligência artificial. E ainda, alguns educadores preferem não usar as novidades, ao invés de abraçar a causa e transformá-la em objeto de pesquisa. 

Ignorar a realidade não é mais possível. Assumir a realidade, significa mergulhar em um propósito que ressignifique o sistema de ensino, não com intervenções tecnológicas superficiais, como por exemplo, atualizar o laboratório de informática com novos equipamentos, mas ir além.

Linguagem digital na educação

Precisamos criar uma cultura que rompa barreiras com crenças limitantes, uma delas: que a tecnologia traz tudo pronto e nos impede de pensar, o que não é verdade.

Implantar o uso da tecnologia consciente é o primeiro passo para que alunos, professores e comunidade se apropriem da “linguagem digital”, ou seja, conheçam qual plataforma a escola escolheu, como funciona e quais os mecanismos de interação.

Este acompanhamento se faz necessário para apresentar aos alunos, professores e pais como as ferramentas tecnológicas podem auxiliar a todos dentro e fora da escola.

Conteúdos interativos

Os conteúdos das aulas devem ser interativos, por meio, de roteiros que orientem os alunos a relacionarem as atividades com os recursos digitais. Eles devem ser estimulados a perguntarem, pesquisarem e a exercitarem as habilidades de análise e síntese, para compartilharem suas conclusões com o grupo em sala de aula. O papel dos professores neste contexto, será de mediadores.

As ferramentas tecnológicas podem ajudar no desenvolvimento da autonomia?

Eis os cenários incríveis. 

Sim! Os alunos começam a perceber que as pesquisas trazem respostas. Desenvolver este hábito na   resolução de problemas em todas as áreas do conhecimento, requer busca pelo trabalho em equipe, articulação das hipóteses levantadas rumo às estratégias para solução dos problemas.

Os professores têm a missão de estimular a curiosidade, auxiliar na organização das ideias e orientar como os conteúdos devem ser apresentados, na forma presencial ou remota.

As trilhas de aprendizagem ganham o protagonismo dos alunos e professores. Os conteúdos pesquisados formam um portfólio de informações a serem revisitados como apoio à sequência didática, os quais nortearão os professores a prosseguirem com os conteúdos de forma interdisciplinar.

Exercitar a dúvida: fundamental na compreensão de fake news

Importante treinar os alunos a verificarem as informações quando utilizarem as ferramentas. Outro ponto a considerar, são as suas produções, saber usar um mapa de perguntas auxiliará os alunos a elaborarem os seus conteúdos.

Os alunos poderão criar conteúdos com apoio das ferramentas tecnológicas: textos, imagens, vídeos e podcasts.

O uso da cognição e raciocínio analítico

A interação dos alunos será cognitiva, porque o pensar “sobre” estimulará as habilidades de forma interdisciplinar. Analisar e estabelecer relações entre as diferentes áreas do conhecimento e as novas descobertas a respeito dos conceitos, é uma forma de promover a autonomia intelectual entre os alunos.

As avaliações acontecem em cada momento com feedbacks precisos, e ao mesmo tempo, oferecem espaço para os alunos se auto avaliarem. Esta possibilidade leva ao autoconhecimento a respeito das suas habilidades técnicas.

Como ficam as habilidades socioemocionais?

O autoconhecimento será valorizado, pois teremos um tempo maior para exercitarmos as habilidades socioemocionais, uma vez que a tecnologia contribuirá para agilizar as atividades operacionais, as quais consomem um tempo maior. Com a inserção de novas ferramentas tecnológicas, a organização entre a vida pessoal e profissional será mais equilibrada e saudável.

Dedicar-se às atividades pessoais é muito positivo, porque amplia o interesse em aprender algo novo. Quando falamos em autoconhecimento, estabelecemos um diálogo íntimo conosco, e quanto mais temos consciência de nossas percepções melhor a interagimos às transformações.

Educação personalizada

A personalização da educação não é novidade, pois os avanços da tecnologia estão disponíveis para aplicarmos em sala de aula.

Nesta versão da aprendizagem, os alunos conseguem perceber como suas habilidades são desenvolvidas nas diferentes áreas do conhecimento, vivenciam experiências, constroem conceitos e apresentam a si e ao outro a sua identidade estudantil, porque revelam em suas ações uma educação transformadora como também, que o conhecimento é libertário no momento em que a autonomia considera no pensamento crítico, a capacidade do estudante de se apresentar ao mundo com suas ideias e valores. 

O que aprendemos com o futuro do trabalho?

Aprendemos que o futuro do trabalho, com suas inspirações e experiências, traduz para nós educadores:

A missão de ensinar não é dar tudo pronto, mas incentivar o pensar criativo e resiliente.

Além de preparar os alunos para o futuro do trabalho, é importante nos conectarmos com propostas inovadoras, e neste campo a inteligência artificial tem nos mostrado que temos muito a aprender, pesquisar e se arriscar, pois dessa forma a educação caminhará para descobertas, deixando de lado a zona de conforto e transformando os novos conceitos em laboratório de estudos. Quando cada avanço tecnológico chegar, poderemos abraçar realmente essa causa.

Bem-vindo ao futuro da educação e do trabalho, mão na massa que muitos desafios nos esperam!

 

Ana Paula Educadora (Colunista)

Ana Paula Educadora é pedagoga, psicopedagoga, tem extensão em Neuropsicologia (PUC-SP) e MBA em Gestão Educacional. É Top Critical Thinking Voice LinkedIn. Fundou e é diretora da Transformar Educação & Inovação, consultoria especializada em educação básica com foco em treinamentos, palestras e cursos livres. São temas de estudos e pesquisa permanentes, Ensino Híbrido e Metodologia Ágil Scrum, Pedagogia com foco em Gestão de Pessoas, Psicopedagogia Inclusiva e Andragogia Educação para Adultos. Colunista EA “Educação & Pessoas”.

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