Por Felipe Gruetzmacher

 

Uma terrível criatura alienígena chamada Mudana (“vaidoso” em japonês) vive na mente de cada ser humano presente no mundo. Mudana não tem corpo físico: é um parasita mental. Assim, ele se fortalece se conectando com nossos pensamentos mais obscuros e nossas vaidades íntimas.

Em uma economia mundial movida a cliques, curtidas, comentários e compartilhamentos, Mudana encontrou um ambiente perfeito para se desenvolver. Afinal, cada clique, curtida, comentário e compartilhamento nutre nossas vaidades e, por consequência, Mudana. Nessa guerra de egos e busca incessante por atenção, quem acaba crescendo é Mudana.

Como a ciência explica esse conto de ficção científica? 

Um trecho do artigo “Acumulação capitalista por meios digitais: novas teorias da mais-valia e da espoliação do General Intellect”, do autor Kenzo Soares Seto fornece insights sobre esse fenômeno.

A teoria do “trabalho de audiência” pode ser sintetizada nesses pontos específicos:

  • O capitalismo estendeu a jornada de trabalho produtivo para a experiência doméstica.
  • Em outras palavras, o tempo dos espectadores comuns ocupado pelas mídias comerciais cria a mercadoria “audiência”.
  • Essa mercadoria “audiência” é vendida na forma do nosso tempo publicitário.

Então: os próprios usuários das redes sociais criam a mercadoria “audiência” para movimentar a

economia digital movida a cliques, comentários, compartilhamento e, consequente captura de atenção, que gera o novo modelo de “reclame” de venda publicitária.

O monstro alienígena Mudana é uma metáfora para explicar de forma mais didática, este processo de captura de atenção e nutrição das nossas vaidades.

O que é preciso fazer para escapar de Mudana?

O conto e o artigo forneceram muitos insights! Com esses direcionamentos, formulei algumas

questões para entrevistar @Stefarss Stefanelli, CEO Founder da HR Tech CULC (link Linke dela) e

Publisher da EA Magazine, sobre o seu propósito em construir conhecimento coletivo e assim,

uma possível saída para a vaidade exacerbada que existe em nosso tempo de mundo.

Com sua experiência em lidar com pessoas, saberes empreendedores e autoconhecimento aprofundado, Stefarss pode nos trazer aconselhamentos. Segue a entrevista:

  1. A nossa época tem muitas plataformas de compartilhamento de conhecimento como o Linkedin, por exemplo. Na sua opinião: como cultivar o hábito de compartilhar conteúdo de extremo valor e não somente por pura vaidade?

Stefarss As redes trazem a oportunidade do poder em nos expressar. Fomos elevados à condição de “pensadores”: mentores, influencers e toda a sorte de futuristas. Não há volta no contexto da propagação de nossas falas a nutrir redes sociais, mas há como sermos mais criteriosos com o que escrevemos, a estarmos aptos a propagar um ensinamento: não sermos o “ouro de tolos”. Este ditado, ouro de tolos, se aproxima da interessante questão das conexões tolas: o mundo midiático x a mercadoria da audiência. A vaidade tem lugar cativo neste “fenômeno midiático também tolo”. Pois não há, na maioria do que é volumosamente publicado por uma única pessoa, um genuíno e relevante conhecimento.

  1. Muitas startups quebram em virtude de se apoiarem em modelos de negócios superficiais e equipes sem habilidades técnicas. O compartilhamento de bom conteúdo pode, além de educar o mercado, ser sinônimo de boas habilidades técnicas de uma equipe de startup? Stefarss Startups tem um modelo de negócio fascinante: escalam por propósito e com redes de cooperação. Por detrás da cooperação, acreditem, há um oásis de genuíno conhecimento que gera esta prática de cooperação. É com esse conhecimento testado na busca de hipóteses buscando solucionar problemas, que times de startup se tornam muito mais ágeis e se orientam por entregas acima da média.
  2. O que, na sua opinião, um marketing precisa ter para ser diferenciado? Depende do nicho ou há um conjunto de boas práticas, habilidades relevantes?

Stefarss Creio que tudo isso junto, fundamenta a aplicação das técnicas do marketing digital. Para trazer resultados, ser uma marca que roda bem em redes sociais, é preciso orientar o perfil do cliente ideal a canais ideais, e para se chegar aos canais ideais, e necessário ir testando a audiência de um a um. Linkedin, Facebook, Instagram, Youtube, Spotify, Grupos WhatsApp, e tantos outros.

 

felipe Easy Resize.com - Mudana, a vaidade em nosso tempo Com a visão de Stefarss Stefanelli

Felipe Emilio Gruetzmacher é formado em gestão ambiental, educação ambiental e se especializou em copywriter através de muitos cursos online, muita prática e dedicação. Autor na Comunidade EA é um dos mais lidos na plataforma. Tenta decifrar os enigmas do trabalho humano, até porque essas questões podem mudar os rumos da sociedade humana e acelerar a marcha da história rumo à Utopia.

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