Por Salvador Gama

 

Dia 1 de maio, a morte do piloto Ayrton Senna completou 30 anos. Três décadas sem o ídolo Ayrton Senna. Para os fãs, o ícone brasileiro segue vivo até hoje.

No início dos anos 90, o Brasil não vivia um bom momento de uma maneira geral.

Nove anos após o fim da ditadura militar, politicamente as coisas não estavam bem. Fernando Collor de Mello, primeiro Presidente da República eleito democraticamente pelo povo após quase 40 anos, sofreu o Impeachment em 1992. O Presidente do Brasil era o Itamar Franco, que tinha assumido por ser o vice de Collor.

Economicamente vivíamos tempos de inflação astronômica. Quase todas as semanas os preços de produtos essenciais para a população subiam.

Não havia esperança para o brasileiro, que parecia estar no fundo do poço.

Culturalmente o país vivia um bom momento. Depois do boom do rock nacional nos anos 80, bandas como Legião Urbana, Paralamas de Sucesso e Titãs se consolidaram.

Esportivamente, há mais de duas décadas a Seleção Brasileira de Futebol não vencia uma Copa do Mundo. Uma geração de jogadores muito talentosos como Leandro, Júnior, Falcão, Sócrates e Zico, não conseguiu ganhar um mundial pela Seleção Brasileira. Um golpe duro para um povo que ama futebol.

O alento era Ayrton Senna. Ver o brasileiro ganhar corridas contra os melhores pilotos domingo após domingo e levando a bandeira brasileira ao lugar mais alto do pódio era motivo de orgulho. O único momento em que o brasileiro tinha orgulho de ser brasileiro.

Até que chegou o ano de 1994.

Começo na Williams

A ida para a Williams era um sonho antigo de Senna. Desde que chegou à F1, em 1984, que Ayrton desejava um dia correr pela equipe inglesa.

E esse dia chegou em 1994. Já tricampeão mundial pela McLaren, Senna queria continuar vencendo corridas e títulos mundiais e batendo recordes. E o piloto brasileiro sentia que com a McLaren isso seria muito difícil a curto prazo.

Senna tinha razão. Tanto que um piloto da McLaren só voltaria a conquistar um mundial de pilotos em 1998 com Mika Hakkinem.

No meio de 1993, surgiu a oportunidade de assinar um contrato com a Williams para o ano seguinte. E o piloto brasileiro não pensou duas vezes e assinou com a equipe que dominou a Fórmula 1 em 1992 e 1993.

Mas em 1994, tudo mudou. Com a proibição da eletrônica, a Williams deixou de ter o melhor carro, sendo facilmente superada pela Bennetton, que contava com o alemão Michael Schumacher, jovem muito promissor.

Nas duas primeiras corridas do ano, Senna teve problemas com o carro e não completou a prova.

Chegou o fim de semana do Grande Prêmio de Imola.

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Senna preocupado antes do fatídico GP de Imola (foto Eurosport)

GP de Ímola

O fim de semana do Grande Prêmio de Imola foi um dos piores da história da Fórmula 1.

E o final de semana foi terrível e deixou latente o risco que os pilotos de F1 corriam com a falta de segurança.

Dois pilotos mortos, com todos assistindo o treino de classificação e a corrida.

Na sexta-feira, o brasileiro Rubens Barrichello, teve um acidente sério. O carro capotou e podia ter tido consequências mais sérias para o jovem piloto brasileiro que fraturou o nariz.

Senna ficou preocupado com o estado de saúde de Rubinho. Foi ao hospital, quis saber detalhes do estado de saúde de seu compatriota, então um jovem de 21 anos.

No sábado, durante o treino de classificação mais um acidente. Este fatal. O austríaco Rolland Ratzemberg faleceu após o seu carro bater violentamente a mais de 300Km por hora.

E era assim o ambiente para a corrida. De insegurança, tristeza e medo. Liderados por Senna, os pilotos pensaram em não correr, exigiam da FIA mais segurança.

Acabaram correndo sob protesto. E Senna se sentia muito pressionado por não ter pontuado nas duas primeiras corridas e preocupado com as condições de segurança. Queria a vitória a qualquer custo.

A corrida aconteceu. E já sabemos o que aconteceu na curva Tamburello na sexta volta da corrida. A dor da perda não nos deixa esquecer.

Superação

Senna era um piloto muito acima da média. Segundo ele “o brasileiro só valorizava o primeiro lugar” e ele era brasileiro, então o seu objetivo ao entrar no cockpit era ser mais rápido e chegar a frente de todos.

“Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá”. E ele chegou.

Como ele mesmo dizia, tinha conquistado tudo o que sempre sonhou, mas sempre com a ajuda de Deus. O próprio Senna dizia que tinha trabalhado muito para chegar ao sucesso, mas não teria conseguido nada se Deus não ajudasse.

Limites

Sobre limites, Ayrton dizia que todo o piloto tinha o seu, mas o dele era um pouco maior. E o piloto brasileiro vivia em busca de superá-lo e muitas vezes acabava errando por isso.

Senna tinha uma forma de dirigir agressiva e não se contentava com o segundo lugar. O piloto brasileiro gostava de correr riscos, achava divertido. Segundo ele “vencer sem correr riscos era o mesmo que triunfar sem glórias”.

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Senna comemora mais uma das suas 41 vitórias na carreira (Foto Globo Esporte)

Corridas históricas

Dentre as 41 vitórias de Ayrton Senna. Destaco duas.

A primeira foi em Suzuka, 1988, corrida que deu ao brasileiro o primeiro título mundial de F1. O motor de piloto paulistano falhou na largada e o brasileiro, que tinha feito a pole position da prova, caiu para 16°. Ao fim da primeira volta, o brasileiro já estava em 8° e no meio da corrida, ultrapassou o francês Alain Prost, seu companheiro de equipe e que disputava o título com o brasileiro. A corrida terminou com chuva, condição climática que Ayrton Senna preferia.

Outra que destaco foi a de Doninton Park em 1993. Senna caiu para 5° lugar na largada, mas ao fim da primeira volta já estava em primeiro lugar. Liderou toda a prova, também debaixo de chuva.

A vitória que Senna destaca como a mais difícil foi a de Interlagos em 1991. Senna terminou a corrida somente com a sexta marcha e com chuva, onde o piloto mostrava todo o seu talento. Ao fim da prova, o paulistano teve de sair do carro carregado, tamanho tinha sido o seu esforço. Foi a primeira vitória de Senna no Brasil.

Ayrton ainda voltaria a vencer em São Paulo em 1993.

Legado de Ayrton Senna

Ayrton deixou um grande legado de superação e esperança para o povo brasileiro. Sua vida mostra que com trabalho, dedicação, resiliência e Fé ninguém é capaz de nos parar. Além disso, Senna sempre mostrou muito orgulho de ser brasileiro.

Senna sempre se preocupou bastante com as causas sociais. Meses antes do fatídico acidente no dia 1 de maio, o piloto paulistano falou sobre isso com a sua irmã Viviane Senna.

Naquele momento nascia a ideia do Instituto Ayrton Senna, uma organização não governamental que oferece oportunidades de desenvolvimento humano a crianças e jovens de baixa renda. Além disso, o personagem Senninha foi criado com a intenção de atingir o público infantil com os ideais do piloto, como a superação, dedicação e o gosto pela vitória.

Senna é o ídolo eterno para todos os esportistas brasileiros.

 

 

salvador

Salvador Gama é jornalista especializado em esportes. É produtor de conteúdo digital com experiências em assessoria de imprensa, produção, edição e revisão de textos e pautas, elaboração de releases e clippings e cobertura de eventos. Atua também como copywriter e ghostwriter. É tradutor de espanhol. Tem como propósito ajudar pessoas a se tornarem seres humanos melhores. Deseja inspirar com seus conteúdos, agregar valor, conhecimentos, impactando de forma positiva a vida das pessoas.

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