Por Geraldo Araujo
Neste meu primeiro artigo como autor da EA Magazine, convido o leitor a refletir sobre um mercado pautado por métricas rasas e esgotamento, um dos antídotos para a crise de propósito está na transição do individualismo para o serviço prático ao coletivo.
Vivemos em uma era de hiperconexão, onde as métricas de sucesso muitas vezes se tornaram puramente quantitativas, refletidas em números e validações virtuais. No entanto, essa busca incessante por reconhecimento tem nos deixado solitários e cada vez mais desconectados das verdadeiras demandas da nossa psique e do nosso entorno afetivo.
No ambiente corporativo atual, marcado pela exigência contínua de performance e pela exaustão, observamos como consequência direta uma profunda crise de propósito.
Muitos profissionais se encontram tomados pelas expectativas externas, da família, da empresa e da sociedade, e acabam mergulhados em uma jornada do herói implacável, onde sentem que precisam matar um leão por dia. Esse movimento irrefletido e inercial nos transforma em executores automáticos, lembrando a alienação do trabalho retratada por Charles Chaplin no filme Tempos Modernos.
Como alerta o psiquiatra Carl Jung: “Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro acorda”.
Sem investir energia no autoconhecimento, torna-se impossível encontrar a própria medida e um sentido real naquilo que fazemos.
Quando o foco da nossa consciência se volta quase exclusivamente para o que podemos chamar de “Deus do trabalho”, negligenciamos outras áreas vitais da nossa existência, deixando-as subnutridas de atenção. A consequência dessa unilateralidade é o Burnout, que não é só um esgotamento físico, mas um verdadeiro grito da alma. A psicossomática nos mostra que a psique utiliza o corpo para chamar a atenção para esse desequilíbrio e para o excesso de individualismo (ou egocentrismo) que isola o sujeito em sua própria subjetividade.
A verdadeira inovação e o futuro do trabalho, no entanto, exigem uma quebra dessa lógica binária e individualista.
O sentido da existência e da carreira não é uma “fita de chegada” ou um destino final, mas um caminho de reflexão, aprofundamento e trocas constantes. É nesse contexto que o serviço ao coletivo, o livro “Ser-Vir-a”, se apresenta como uma resposta poderosa para as lideranças e organizações. Quando abandonamos a bolha da hiperconexão rasa e reconhecemos a anima mundi (a alma do mundo), percebemos que somos todos parte de um mesmo tecido psicológico.
O trabalho que se alinha a uma finalidade maior compreende que não existe separação rígida: o outro também sou eu.
Portanto, o que fazemos para ou pelo coletivo, também estamos fazendo por nós mesmos. Líderes e profissionais que adotam essa postura ética compreendem que suas ações afetam a saúde do todo. Em vez de focar apenas no sucesso material, estar no mundo buscando um “Vir-a-Ser” para “Ser-Vir-a” é o verdadeiro pilar para construir organizações mais saudáveis e encontrar significado duradouro na nossa jornada.
Indicação de leitura

Vir-a-Ser para Ser-Vir-a: Uma breve reflexão sobre a finalidade do viver

Geraldo Araujo é psicoterapeuta junguiano, educador e autor estreante do livro “Vir-a-Ser para Ser-Vir-a”. Sua formação inclui pós-graduações em Psicologia Junguiana e em Dependências, Abusos e Compulsões. É radicado em Brasília desde 1998.
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