Por João Casarri Neto  

 

Um estudo recente do Grupo Bradesco Seguros, o maior do tipo já realizado no país, ouvindo 6.800 brasileiros, trouxe uma revelação crucial: nós, brasileiros, desejamos viver muito, mas não estamos nos preparando para isso. 

A pesquisa revela um paradoxo que atinge diversas gerações. Anseios por décadas de vida com saúde e disposição esbarram na realidade de um planejamento insuficiente. Este é um alerta que convida à reflexão e, principalmente, à ação. 

A longevidade é uma conquista da humanidade. No entanto, transformá-la em uma jornada plena e com qualidade exige mais do que esperança. Exige estratégia. 

O retrato do despreparo: O que o estudo mostra 

Os dados apontam para uma desconexão perigosa entre nossa expectativa e nosso comportamento. A maioria dos entrevistados demonstra preocupação com o futuro, mas não converte esse sentimento em medidas concretas. 

As principais inquietações giram em torno da saúde, com medo de doenças crônicas e perda de autonomia. O aspecto financeiro é outra grande fonte de ansiedade, com muitas pessoas inseguras sobre sua capacidade de manter o padrão de vida. 

No campo emocional, o fantasma da solidão e o temor de se tornar um peso para a família aparecem como questões profundas. Fica claro que planejar a longevidade vai muito além de guardar dinheiro. É uma questão de projeto de vida. 

Um chamado para ação: O que precisa ser feito 

Superar esse paradoxo exige um esforço coletivo. Cada setor da sociedade tem um papel definido nesta jornada. 

As instituições financeiras têm um papel central 

O setor financeiro não pode ser apenas um fornecedor de produtos. Precisa ser um aliado na educação. É necessário comunicar com clareza, oferecer soluções acessíveis para diferentes realidades e fornecer orientação personalizada. 

Produtos de previdência e investimentos de longo prazo devem ser simples e transparentes. O objetivo é ajudar as pessoas a construírem uma base financeira sólida para todas as fases da vida, e não apenas para a aposentadoria formal. 

O setor privado como agente de inovação 

Empresas de todos os portes precisam enxergar a longevidade como uma oportunidade. Isso significa criar produtos e serviços que atendam às reais necessidades dessa população em crescimento. 

No ambiente corporativo, é urgente combater o preconceito etário. Programas de requalificação, modelos de trabalho flexíveis e a valorização da experiência são fundamentais para reter talentos e aproveitar todo o potencial da força de trabalho madura. 

O Governo na construção de alicerces 

O poder público é responsável por criar as condições estruturais para esse novo panorama. Políticas urbanas que tornem as cidades mais acessíveis e seguras para todos são essenciais. 

Campanhas de educação sobre planejamento de vida e a adaptação de sistemas de saúde e previdência para a nova realidade demográfica são ações indispensáveis. A regulamentação deve proteger o cidadão em todas as suas idades. 

A Sociedade na corresponsabilidade 

A mudança mais profunda, porém, começa em cada um de nós. Precisamos quebrar estereótipos e enxergar o envelhecimento como uma etapa natural e cheia de potencial. 

Famílias e comunidades podem e devem fortalecer redes de apoio intergeracionais, combatendo a solidão e promovendo trocas valiosas de experiência e conhecimento. 

O alerta mais importante: Para você, onde você estiver 

Se você está perto da aposentadoria ou ainda no início da vida profissional, esta mensagem é para você. O planejamento para uma vida longa não pode ser adiado. 

Não espere chegar aos 60 anos para pensar no assunto. A estratégia mais poderosa começa agora. Avalie sua saúde física e mental, cultive seus relacionamentos e organize suas finanças com visão de longo prazo. 

Pergunte-se: como quero viver daqui a 20, 30 ou 40 anos? A resposta a essa questão deve guiar suas escolhas atuais. Planejar a longevidade é um ato de cuidado com o seu futuro. 

Conclusão: Da consciência à ação 

O estudo do Grupo Bradesco Seguros funciona como um espelho. Ele reflete nosso desejo coletivo por uma vida longa, mas também nosso despreparo para viver em plenitude. 

A principal mensagem é de esperança, mas uma esperança ativa. A longevidade será uma conquista positiva se for construída com consciência, responsabilidade e ação coordenada. 

O momento de começar é hoje. A decisão está em suas mãos. Viver mais e melhor é uma meta possível, mas ela exige um plano. Qual é o seu? 

 

joao casarri neto - Longevidade no Brasil: O paradoxo entre o desejo de viver mais e a falta de preparo

João Casarri Neto é economista, consultor de RH/TI, analista comportamental DISC, coach, mentor, treinador de líderes, e Practitioner PNL. Autor do livro “Os 5 Princípios da Resiliência”, é também criador do programa “Sou Líder, e Agora?” para ajudar líderes em início de carreira. É Embaixador de Inovação e Tecnologia da Associação Brasileira dos Profissionais de RH (HUBRH+ABPRH). Colunista EA “Geração 50+”. 

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