Por Djairo Gonçalves
“Seus pensamentos serão as suas palavras e suas palavras serão suas ações.”
Esta citação deve ser de minha autoria, pois me refiro a ela há muitos anos com a certeza de que fazia parte de algum texto bíblico. Contudo, ao ser impulsionado a colocar meus pensamentos neste artigo, minha surpresa foi descobrir que a minha citação é apenas coerente com a sabedoria e a inspiração das sagradas escrituras. Esta descoberta me deixou muito à vontade para complementá-la (a citação) da seguinte forma:
“Seus pensamentos serão as suas palavras e suas palavras serão suas ações. Suas ações serão sua realidade manifestada.”
Normalmente nossas palavras são a expressão de nossos pensamentos, sentimentos ou informações que armazenamos de forma consciente ou não.
De qualquer forma, nossas palavras moldam nossa experiência diária seja no ambiente pessoal ou profissional. O que pensamos e como nos comunicamos em nossos relacionamentos ou dentro de um ambiente corporativo impacta profundamente os resultados que geramos, as relações que cultivamos e o ambiente que criamos.
Jung nos alerta que o processo de individuação é um processo de integração das várias partes conscientes e inconscientes de nossa psique (luz e sombra).
Essa jornada não é apenas uma busca pelo autoconhecimento, mas também uma tentativa de viver de forma mais autêntica e integrada a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor. Ao levarmos essa ideia ao ambiente corporativo, começamos a entender que o sucesso não está apenas em cumprir metas e entregar resultados, mas em como nos tornamos inteiros como indivíduos dentro de determinadas organizações.
E, se estivermos dispostos a nos observar verdadeiramente e nos responsabilizarmos por nossa jornada, devemos levar em conta uma questão muito simples, mas nada fácil:
O quanto esta experiência contribui com meu processo pessoal de “ser verdadeiramente quem sou?”
A resposta depende não só da experiência em si, mas de todo nosso contexto.
Talvez o processo de individuação no meio corporativo nos direcione ao desenvolvimento de habilidades comportamentais (soft skills) ou a integrar nossos valores e princípios internos com os desafios externos da empresa. Isso inclui sermos capazes de lidar com as pressões e expectativas do ambiente de trabalho sem perder nossa autenticidade, nosso propósito e equilíbrio emocional. Isso é muito importante porque, não sejamos ingênuos, o ambiente corporativo tende a valorizar desempenho e resultados.
Interconexões, ancestralidade e com futuro
Porém, depois de muitos anos no mundo corporativo e vivendo meu próprio processo de individuação, acredito que quando somos capazes de manter nosso foco e a nossa paz interior, a harmonia entre nossas partes conscientes e inconscientes, nossa performance tende a ser mais sustentável e alinhada.
Talvez você esteja se perguntando o que tudo isso tem a ver com interconexões, ancestralidade e com futuro. Vou tentar me explicar.
Em uma das minhas imersões eu ouvi falar da Lenda da Mãe Aranha, originária da tradição dos índios Hopi do sudoeste dos Estados Unidos.
Para eles, a Mãe Aranha, é uma figura espiritual associada à criação do mundo e à conexão de todas as coisas.
A Mãe Aranha é deusa que tece a teia da vida, simbolizando a interconexão de todos os seres e elementos do universo.
A Mãe Aranha é também a guardiã do equilíbrio, ensinando a importância da harmonia e da preservação da natureza.
Sua teia é vista como um símbolo de união e conexão entre todos os aspectos da vida, mostrando que cada ação, por menor que seja, tem um impacto no todo.
Vale lembrar que nós, humanos, também somos parte da natureza e fazemos parte de algum aspecto da vida e do Universo. Mas se você não acredita em lendas ou mitologias, quem sabe o ensinamento cristão possa te deixar um pouco mais “interconectado”.
Pois tal ensinamento nos mostra que a nossa comunhão com Deus e a nossa transformação interior promovem a conexão com o “todo universal”, com o divino, e nós, por meio de nossa fé em Cristo, nos reconectamos com a divindade e realizamos nossa parte no plano cósmico.
Gregg Braden, cientista e espiritualista de renome global enfatiza a importância da conexão emocional e da intencionalidade ao nos relacionarmos com o mundo.
A fonte de criação de nossa realidade
Ele, entre outros cientistas, argumenta que nossas emoções não são apenas reações, mas uma poderosa fonte de criação de nossa realidade, pois elas criam campos magnéticos que interagem com o campo magnético ao nosso redor, inclusive com o do Universo. Isto reflete de volta para nós as nossas condições externas através de relacionamentos, insights, sincronicidades e assim por diante.
É a nossa capacidade de perceber e atuar neste campo de forma harmônica (flow) que transforma nossa realidade.
Ou, como nos alerta Jung, “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamar isso de destino.” Se expandirmos esse pensamento, amplamente avaliado de forma científica em diversos laboratórios e citado, inclusive pelo Dr. Joe Dispenza, para o mundo corporativo talvez possamos perceber como nossos pensamentos, palavras, intenções e emoções afetam o clima organizacional, as relações interpessoais e até os resultados da organização.
Ao longo de minha carreira como executivo, consultor e hoje atuando como psicoterapeuta, observo que quando nossas emoções estão alinhadas em torno de um objetivo comum, com intenções claras e positivas que se harmonizam com os propósitos da empresa, criamos um campo energético coletivo que impulsiona a produtividade, a criatividade e a colaboração em diversos níveis. Sob a perspectiva de Jung, eu chamaria esse fenômeno de “inconsciente coletivo da organização”.
Por outro lado, quando estamos desconectados de nossa verdadeira essência.
Isso ocorre quando a mensagem transmitida consciente ou inconscientemente não é clara, quando nossas intenções divergem das intenções da organização ou se fragmentam de alguma forma, esse campo energético enfraquece e perde a “magia” que nos une, prejudicando o desempenho geral da organização, ocasionando a perda de talentos, perda de conhecimento e de resultados efetivamente.
Para tentar ser coerente, o físico Nassim Haramein, um dos mais premiados da atualidade, propõe a teoria do universo holográfico onde sugere que tudo está interligado em um campo de informações e energias e que cada parte do universo contém sua totalidade, desde o mundo subatômico até o infinito das galáxias.
Em filosofias ancestrais, conceitos semelhantes são chamados de Prana, Chi, Qi.
Isto significa que o impacto de nossas ações em qualquer área da nossa vida não é apenas local ou imediato, ele reverbera em toda a rede, influenciando e sendo influenciado por outras pessoas e por todas as outras coisas que interagem em nosso “campo” (Unified Field Theory).
Esta visão nos alerta que nossas atitudes individuais têm um efeito sistêmico, assim como na “teia da Mãe Aranha”.
Só que agora quem está dizendo é um cientista que, entre outras coisas, recalculou com precisão a massa de elementos subatômicos e solucionou questões como a famosa “teoria de todas as coisas”. Seu trabalho está disponível no meio acadêmico e em suas redes sociais.
Nesse conceito, a organização é como um sistema interligado, funciona de maneira semelhante ao que o Taoísmo descreve como o fluxo natural do universo, onde todas as partes são inseparáveis.
Taoísmo
O Taoísmo ensina que a separatividade é uma ilusão; na verdade, tudo faz parte de uma unidade maior.
Da mesma forma, em uma organização, as interações humanas, seja entre colegas, líderes ou clientes, não são desconectadas e sim interdependentes. Cada palavra dita, cada decisão tomada e cada ação realizada afeta o campo coletivo de energia, o “inconsciente coletivo da organização”, e o impacto que a organização gera no mundo.
Vivemos tempos desafiadores e entender a interconexão entre nossos pensamentos, palavras e ações é essencial para criar uma realidade pessoal e profissional mais harmônica e produtiva. O processo de individuação nos ajuda a entender e integrar nosso propósito pessoal e alinhá-lo com os objetivos da organização.
A mitologia Hopi, a teoria do universo holográfico e o Taoísmo, além de outras filosofias, nos lembram de que somos parte de algo muito maior.
Quando praticamos a paz interior e aplicamos intenção consciente em nossas ações, não só transformamos nossa realidade, mas também criamos ambientes mais colaborativos, criativos e sustentáveis.
Então, como podemos manter a harmonia, a paz interior, enquanto transitamos pelas demandas e pressões do nosso cotidiano e do nosso ambiente de trabalho?
Bem, eu tenho certeza de que não atingi a iluminação e nem atingirei nos anos que me restam, mas posso compartilhar com você algumas das dicas que alguns sábios do passado deixaram e cientistas sérios estão conseguindo comprovar através de seus estudos.
- Reflita sobre suas emoções, pensamentos e ações
- Estabeleça, dentro do que é possível, limites saudáveis entre seu trabalho e sua vida pessoal
- Pratique atividades físicas, de relaxamento, meditação ou contemplação
- Cultive relacionamentos positivos
- Estabeleça intenções claras alinhadas com seu propósito e valores
- Pratique a gratidão começando pelas pequenas coisas
- Seja um eterno aprendiz
Chegamos ao final e quero agradecer você por ter chegado até aqui comigo.
Espero ter esclarecido meus pensamentos, mas se ficou alguma dúvida, por favor me encaminhe seus comentários que eu terei muito prazer em respondê-los.
E, por último, agora você sabe que não está só, procure ajuda sempre que precisar!
Djairo Gonçalves é psicoterapeuta com orientação Junguiana, e hipnoterapeuta. Atua apoiando pessoas em suas questões pessoais e profissionais. Realiza treinamentos, palestras, encontros e retiros com foco no aprimoramento de habilidades comportamentais (soft skills). Pós-graduado em Psicologia Analítica com MBA na Westminster University, Salt Lake City, USA. Pós-graduado em Marketing (ESPM-SP) com graduação em Administração de Empresas (Universidade Metodista). Mais de 25 anos trabalhando no segmento Financeiro e em consultorias estratégicas e de Recursos Humanos. Colunista EA “Espaço Caleidoscópio”.
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