Por Patrícia Milaré Bertão
De tempos em tempos algumas palavras parecem “grudar” em nosso vocabulário e quase fazem morada! A maioria das narrativas traz ela em seu conteúdo e ela ganha ares de notoriedade e potência. A palavra da vez tem sido resiliência. Virou sinônimo, nome e sobrenome e se você ousar falar mal dela, ganhará uma legião de indignados dizendo o quanto você está errado e precisa acreditar que ela é a sua grande salvadora.
Afinal, o que ela traz de tão forte? A resiliência é a capacidade de fazer com que voltemos ao estado normal depois de passar por alguma adversidade. É se mostrar flexível o bastante para vergar, mas não quebrar. Não significa que você tem que ser imune ao que passou, sendo invulnerável, mas de lidar com o acontecido e sair dele mais forte. A meu ver um processo de ação e reação – crise e superação.
Hoje em dia, no mercado corporativo, a resiliência é uma das soft skills mais valorizadas e requisitadas.
Pois não cabe mais o efeito rígido e resistente a qualquer mudança. O poder de ser flexível é muito bem-visto. Porém, cabe aqui um parêntese sutil e delicado, em nenhum momento a resiliência deve ser confundida com “aguente tudo” e não reclame. Mas, muita gente confunde. Em momentos de crise é saber olhar para o problema com calma e clareza. Somente depois focar na sua solução ao invés de ficar se lamentando e entrando em estado de frustração e paralisia. Isso apenas vai aumentar o problema e não o resolver. Mas, nem tudo precisa ser imediato, ação e reação. Aliás, na maioria das vezes, a paciência e a sutileza em digerir sobre o acontecimento pode ser uma grande aliada. Não force a barra. Entenda, absorva e aja. Você, certamente saberá o melhor momento.
É preciso entender que a resiliência sem sensatez tende a virar conformismo.
Até onde podemos nos adaptar e continuar o caminho, como pessoa ou profissional, e quando a situação (ou o ambiente) se tornou pesado a ponto de perceber que a resiliência, nesse caso é sair de cena e/ou estabelecer limites. Como soft skill, a resiliência está ligada à nossa inteligência emocional, como lidamos com as nossas próprias emoções e como interagimos com as pessoas. Ela não pode e nem deve mascarar um sentimento, mas sim nos ensinar a geri-lo de forma consciente. Assim, vemos importância do autoconhecimento e como ele é necessário em qualquer área de nossa vida.
Talvez o grande ponto que precisamos trazer aqui é, o que aprendemos com o desconforto da situação vivida?
Se não formos capazes de perceber, certamente passaremos pelo mesmo problema inúmeras vezes e a resiliência pode ser cansar de ser resiliente e demitir você do seu próprio crescimento, desenvolvimento e evolução.
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Patrícia Milaré Bertão é casada e mãe de duas filhas. Formada em Secretária Executiva (USC), Administração de Empresa (UNIFAE) e MBA em Gestão Empresarial (FAE). É coordenadora sênior Account, TIM Brasil. Participa de um blog que trata sobre diversos temas e assuntos como Comportamento, Relacionamentos e Mundo Corporativo (@vem_que_a_gente_explica). Voluntária na Social Startup, sem fins lucrativos, com foco no desenvolvimento humano – Da Periferia para a Faria Lima. Tem um viés poético e tem três poesias classificadas e publicadas em livros, Poetize 2022 Seleção Poesia Brasileira, Poesia Livre 2022 e Poesia BR. Escrever é meu divã! Colunista EA “Mundo Organizacional”.
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