Por Ricardo Botega

 

Em um processo de reflexão profunda desde o surgimento da IA generativa, é muito fácil chegar à conclusão que vivemos hoje o surgimento de tecnologias que privilegiam quem tem mais bagagem profissional e de vida, e podemos assim dizer que praticamente “sem querer”, modelado para quem é mais velho. Sim, por que não? Deixa eu me explicar melhor.

O Novo Horizonte tecnológico trouxe uma enorme geração de dados e está completamente conectado com a nossa capacidade de formular perguntas, descrever e contextualizar, o que naturalmente é vantajoso para pessoas que possuem bagagens de vida com mais “recording tracking”.

A experiência de vida é um super poder para formulação de questões, inclusive, possui uma quantidade maior de vocabulário, que tem mudado o jogo.

Estudos mostram que as novas gerações possuem um vocabulário até 37% menor do que suas gerações ancestrais. Todos já experimentamos que se não descrevemos de maneira assertiva, a capacidade generativa da inteligência artificial não entrega o resultado conforme desejamos, mas não se trata somente da quantidade de palavras que estocamos em nossas mentes, a descrição de seus contextos ainda é tão valiosa quanto.

A IA só entrega sua verdadeira exponencialidade generativa se utilizarmos as nossas capacidades cognitivas de perguntar.

Respostas, dados e resultados após décadas de acúmulos disponíveis a qualquer um, tem se tornado cada vez mais uma commodity barata e simples de ser adquirida.

Mas o aperfeiçoamento e utilização correta de novas tecnologias, principalmente quando falamos sobre inteligência artificial generativa, ainda necessitam de comandos, instruções, vocabulários e da capacidade de fazer perguntas para posicionar, como a bola da vez, a nossa capacidade cognitiva de pensar.

É onde começo a relacionar o título desta matéria.

Não há nada mais antigo na história da sociedade do que a filosofia como ferramenta de discutirmos os porquês sobre uma infinitude de questões.

A própria filosofia da tecnologia (grade em algumas formações de filosofia) tem refletido, desde o período de Platão, os impactos das tecnologias, antigamente criadas para imitar também as ações humanas através das artificialidades técnicas e os seus impactos gerados na sociedade.

Hoje estando à frente de empresas e elas formadas por times jovens, fica evidente que esse valor e aprendizado, talvez esquecido e deixado de lado, pode sim se tornar, mesmo num processo de revolução tecnológica, a verdadeira inovação que buscamos. Contexto que precisa ser discutido em uma sociedade nova que pretende mudar os rumos e resultados daquilo que produzimos através da tecnologia.

Mas é claro que o estudo filosófico não deve ser somente para construir perguntas e alcançar respostas através do Chat GPT.

Modelo exponencial

Hoje, a Filosofia é mais do que nunca ferramenta básica sobre o impacto de tecnologias e o próprio futuro do trabalho como parte do estudo. Deveria, também, ser grade na academia de estudos de tecnologia, para que a terceira geração de nativos digitais, deste mundo contemporâneo, tenha a capacidade de guiar processos éticos e morais, além de explorar profundamente sua capacidade e exponencialidade.

Sei que não nos habituamos a pensar de maneira exponencial, mas é só fazer um teste simples: pergunte para qualquer um qual o número da sequência entre 1, 2, 4 …… Provavelmente você ouviria resposta número 6, mas modelo de crescimento exponencial a resposta deveria ser 8, 16, 32….. é aí que o jogo muda drasticamente, pois a inteligência artificial trabalha no modelo exponencial.

Resgato então, uma provocação daquilo que talvez nas últimas décadas tenha sido guardado na geladeira por muitos jovens, os mesmos que pretendem mudar o mundo, um questionamento mais profundo:

“Devo ou não colocar em meu playbook o estudo da filosofia?”

Estamos vivendo em uma nova era com a compreensão não clarificada do destino, mas trará as certezas que o resgate de valores fundamentais que formataram as estruturas mais básicas do que hoje chamamos de sociedade, voltarão à superfície.

E finalizo como título do meu primeiro artigo aqui na EA Magazine, acreditando que esse novo e velho dever moral ético, reafirmará que profissionais como engenheiros de software ou todos que estão à frente de tecnologias, com capacidades exponenciais como uma inteligência artificial generativa, devem estudar filosofia.

 

ricardo botega

Ricardo Botega é empreendedor serial. CEO do Grupo Finger, entusiasta da interseção entre filosofia e tecnologia, dedicado a explorar as profundezas conceituais da era digital. Expertise em mapeamento da jornada do cliente adquirida em Boston em 2019, especialista em métricas de e-commerce e aquisição de clientes, com sólida formação obtida em Nova York, anos 2015 e 2017. Longa vivência em desenvolvimento de tecnologias. Colunista EA “Filosofia Tech”.

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