Por Silas Serpa
A obsolescência não é um evento repentino. É um processo silencioso, uma erosão lenta que começa no dia em que a empresa decide manter o status quo em vez de desafiar o futuro.
O artigo O Preço da Inércia: O Que Acontece Quando Empresas Ignoram a Ambidestria e o meu Livro O Jogo da Sobrevivência Organizacional são alertas contundentes para líderes, conselheiros e executivos que ainda acreditam que apenas eficiência operacional garante longevidade empresarial. Sem inovação, a eficiência se torna irrelevante.
Empresas não morrem, elas somem aos poucos
As grandes corporações que caíram não falharam por falta de boas ideias, mas por medo de executá-las. O estudo McKinsey Global Board Trends 2024 revelou que 87% dos CEOs reconhecem que precisam equilibrar eficiência e inovação, mas apenas 10% realmente implementam mudanças estruturais. Essa desconexão entre o que sabemos e o que fazemos está destruindo empresas em câmera lenta.
“O verdadeiro desafio da ambidestria está em cultivar duas mentalidades contraditórias: disciplina operacional e ousadia inovadora.” – O Jogo da Sobrevivência Organizacional
Se a sua empresa acredita que basta cortar custos e melhorar processos para se manter relevante, cuidado—isso pode ser o primeiro sintoma da obsolescência. A falha das grandes corporações não foi tecnológica, foi estratégica.
🔴 Xerox criou a interface gráfica de usuário e não acreditou nela. Apple e Microsoft agradeceram.
🔴 Blockbuster teve todas as oportunidades de adquirir a Netflix. Mas escolheu ignorá-la.
🔴 BlackBerry apostou no teclado físico enquanto o mundo migrava para touchscreens.
As empresas não caíram porque não tinham inovação dentro de casa. Elas caíram porque ignoraram sua própria inovação.
O modelo 70-20-10: O antídoto contra a estagnação
Se sua empresa coloca 100% do foco na operação atual, ela já está atrasada. Os gigantes que caíram estavam tão ocupados otimizando o presente que não perceberam o futuro chegando. É por isso que as empresas mais inovadoras do mundo adotam o Modelo 70-20-10:
- 70% dos investimentos e esforços no core business (o que sustenta a empresa hoje)
- 20% em melhorias incrementais e expansão adjacente
- 10% em inovação radical e experimentação
Essa abordagem garante que a empresa não fique refém do presente, mas também não arrisque tudo no desconhecido. O equilíbrio é essencial.
“Se a inovação precisa de permissão, ela já falhou.” – O Jogo da Sobrevivência Organizacional
Como evitar o efeito Blockbuster em seu Conselho
O primeiro sinal de que a empresa está se tornando irrelevante vem do Conselho Consultivo. Se o board apenas valida decisões e não questiona o CEO, ele não está liderando – está apenas assistindo à empresa se tornar obsoleta.
- Crie um painel de desafios: Um Conselho sem perguntas difíceis é um Conselho inútil. Toda reunião deveria ter uma pauta estratégica de risco: se nossa principal fonte de receita desaparecer amanhã, como reagimos?
- Aplique o framework SERPA: Se inovação não é um processo, é só um desejo. O modelo S.E.R.P.A. (Sistema de Experimentação, Engajamento, Rastreabilidade, Prototipagem e Alavancagem Tecnológica) transforma inovação em disciplina.
- Construa um radar de disrupção: Conselhos ativos monitoram continuamente tendências para evitar serem surpreendidos por concorrentes ágeis.
“Se o Conselho não incomoda, ele é apenas uma plateia de luxo.” – Conselho Consultivo 4.0
O Futuro: Sobreviver ou ser engolido pelo mercado?
As empresas que não adotam a ambidestria não falham de uma vez só – elas simplesmente deixam de ser relevantes. A inovação não é opcional. O mercado não vai esperar a sua empresa decidir agir.
A escolha é simples: inovar ou desaparecer.
Se você é CEO, líder ou Conselheiro, o que sua empresa está fazendo AGORA para garantir que não será a próxima Blockbuster?
Leia o artigo completo e o livro O Jogo da Sobrevivência Organizacional para entender como transformar sua empresa antes que seja tarde demais.
Silas Serpa tem mais de 30 anos no setor de Tecnologia da Informação, liderou empresas nacionais e multinacionais, focando em transformação digital e cultura ágil. PhD em Antropologia Empresarial, mesclado com experiência em liderança e estratégias de TI. Sustenta um olhar inovador em desafios complexos. Como executivo, conselheiro e professor, compartilha conhecimentos em ambidestria organizacional, inovação, transformação digital e design organizacional, preparando futuros líderes. Seu foco está em guiar empresas para a transformação digital, promovendo uma cultura de abertura, agilidade e colaboração, impulsionada por empatia genuína e parcerias estratégicas. Colunista EA “Visão Ambidestra”.
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