Por José Gonçales Neto
Vivemos na era da hiperespecialização, mas, paradoxalmente, nunca estivemos tão fragmentados, ansiosos e até perdidos.
No mundo corporativo e na vida pessoal, tentamos resolver problemas complexos, sistêmicos e não linear com soluções lineares. O indivíduo que procrastina diante de tal complexidade é rotulado como “preguiçoso”; o líder explosivo diante das demandas não realizadas é visto apenas como “autoritário”, e o estrategista perdido no meio do caminho é rotulado como o próximo incompetente na lista de demissões. No entanto, sob a superfície desses comportamentos, existe uma malha intrincada de biologia, temperamento e motivações inconscientes que a maioria de nós desconhece.
Para alcançar uma alta performance, que seja sustentável de dê conta da complexidade da vida e do trabalho moderno, aquela que gera resultados sem cobrar o preço da saúde mental e física, é preciso abandonarmos as análises superficiais sobre os resultados de cada pessoa e adotarmos uma análise sistêmica e integrada, que possa enxergar não somente as falhas ou os potenciais de cada um, mas acima de tudo suas características peculiares e seus limites.
Tradicionalmente, ferramentas de autoconhecimento são aplicadas como ilhas, cada uma enxerga a pessoa sobre um viés (personalidade, caráter, formas de interagir, tipo de comunicação e por aí vai).
Você faz um teste de personalidade aqui, um de pontos fortes ali. Mas a magia (e a ciência) acontece no cruzamento de dados, onde podemos entender o modelo de comunicação de alguém, em conjunto com seu modelo de forças e valores pessoais, ou podemos compreender que seu forte estilo de planejar estrategicamente está ligado de forma intrínseca com seu caráter pesquisador, curioso e criativo.
Uma análise integral, como a metodologia que desenvolvi, o OMNIA ONE, não apenas identifica traços, modelos de reatividade, formas de comandar ou ser comandado, mas revela “bugs” e potenciais ocultos através da integração de sistemas distintos.
Tais sistemas conseguem identificar os fatores que o leva a:
- Sua neurofisiologia comportamental e temperamento básico, levando assim a compreendermos suas formas de reagir frente a demandas.
- Conhecer suas virtudes e forças de assinatura que guiam suas escolhas, o conduzindo para caminhos e ações condizentes com tais forças.
- Apontar motivações inconscientes e medos centrais, principalmente aquelas que não consegue identificar, mas que acabam por conduzir processos que o conduz a procrastinar, não tomar decisões ou até decidir de forma errônea.
- Alinhar vocação e missão diante das necessidades que consegue diagnosticar do mundo.
- Como você enxerga a sua vida e sua trajetória nela, e em qual estágio de evolução de consciência você se encontra diante de grandes temas da mesma.
A Justificativa neurocientífica: Por que o “Olhar Integral” é necessário?
A neurociência do comportamento justifica e dá base a essa abordagem sistêmica por meio do conceito de conectividade funcional.
Nosso cérebro não opera em compartimentos; o sistema límbico, está em constante diálogo com o córtex pré-frontal, e durante toda a nossa vida nos traz diálogos que são claros e lúcidos, e em outros momentos confusos e de difícil interpretação.
Diálogos que são conscientes, e que por muitas vezes não são tão conscientes assim. E tais diálogos são travados em um cérebro que ainda se expõe às predisposições genéticas do nosso temperamento, o que causa muita confusão e uma sensação de que em muitos momentos do dia e até mesmo da vida não pensamos de forma tão clara.
Muitos desses “diálogos” intensos geram inúmeras situações em que o eixo das nossas decisões, são dificultados.
O que traz não somente desconforto, como também gerando falhas em nossas escolhas: os famosos “vieses”, onde inúmeras análises repletas de emoções, sentimentos, reflexões passadas equivocadas e nossos “pré conceitos” formulados nos levam a tais erros. Isso ocorre por meio de vários mecanismos que listo abaixo:
- Modulação do cortisol e emoções: Níveis altos de Neuroticismo, combinados com perfis de medo, podem manter o indivíduo em um estado de “catastrofização” constante. Sem uma análise sistêmica, essa pessoa tentará decidir com base na negatividade e da baixa expectativa de um projeto, quando o que ela precisa é de modulação neurológica do medo através da gratidão, da esperança, e do reconhecimento de que o que sabe do passado nem sempre pode se repetir no futuro!
- Economia cognitiva diante do Burnout: O burnout muitas vezes não é físico, mas existencial. Ele ocorre quando forçamos fraquezas biológicas ou subutilizamos nossas forças de assinatura, ou seja, trabalhamos negando o tempo todo quem somos. É quando você exerca aquela função que nega em absoluto o que acredita: se busca ser justo, entrega serviços e produtos que criam desigualdades, se busca ser íntegro, atua profissionalmente em equipes que não entregam o que prometem.
Outro bom exemplo é dado quando o “motor” dos projetos que participa quer o sucesso a qualquer custo, mas o “veículo” que é você está com baixa vitalidade, ou problemas de saúde gerados pelas próprias pressões desse motor: o colapso é inevitável, o preço do alto desempenho de sua equipe é o seu esgotamento mental e físico, ou seja, o seu colapso.
- Plasticidade e clareza de missão pessoal: Ao enxergar seus “bugs” – como a reatividade explosiva ou a busca por aprovação constante, você adquire o que chamo de distanciamento cognitivo, ou seja, sai do automático e da obediência irrestrita aos estímulos e comandos externos e passa a ouvir mais sua voz interior, seu EU MAIOR. Isso permite que pare de “performar” a qualquer custo para os outros e comece a agir com base em sua verdadeira vocação, seus ideais, suas capacidades, habilidades e atitudes (CHA). Essa pausa não serve para você sair do projeto na qual participa, mas para que vá além e se posicione para atuar com as potencialidades, vocações e aspirações que autenticamente possui.
Assim você deixa de ser “marionete” e instrumento de manipulação e passa a ser uma força pessoal capaz de mudar a si próprio e a transformar o ambiente onde está, com o conhecimento profundo de suas maiores capacidades, e das forças motrizes que o conduz e move nessa vida.
O autoconhecimento sem integração é apenas informação, desconectada, fragmentada e incompleta.
Apenas o traz lampejos sobre si, torna você, que é complexo e integrado a tudo, um ser desconexo, enxergando partes de si e não contemplando a riqueza, diversidade e o real potencial que é. Se esse autoconhecimento é integrado, sistêmico, torna-se um aliado poderoso para lhe construir uma verdadeira estratégia de vida.
A análise sistêmica permite que você descubra se o seu “motor de Fórmula 1” está tentando rodar em um terreno para o qual não foi projetado, ou se você está sabotando seu propósito por vergonha de sua própria ambição.
A grande pergunta que buscamos sempre responder na vida é: para que eu vim? E até onde posso chegar, nesse mundo e universo de infinitas possibilidades.
Possibilidades que podem ser minhas possibilidades, se eu decido assumir o rumo de meus caminhos e de minhas ações.
Somente ao iluminar as sombras e compreender a “neuro-arquitetura do seu comportamento” é que você pode, finalmente, assumir o palco da sua própria existência e guiar sua carreira para um futuro de clareza e impacto real. Assim você construirá história, não somente para você, mas para muitos outros, e quem sabe, para a humanidade.
Bem-vindo à incrível “máquina da vida” que é você! Ela foi projetada por quem entende de projetos: o Universo, a Fonte criativa e regeneradora de tudo e de todos.

José Gonçales Junior é geógrafo pela USP, MBA em Sustentabilidade (EAESP-FGV), pós-graduado em Neurociência do Comportamento (PUC-RS), Diretor de ESG do IFREL Brasil (International Forum of Researches and Lectures), Diretor da Open University Humaniza Brasil, consultor em ESG e Bem-estar em empresas e instituições públicas. Docente de pós-graduação (SENAC SP; Instituto Nacional de Pós-Graduação; Faculdades Metropolitanas de Campinas; IBMEC e Veris Campinas). É palestrante nas áreas de ESG e Bem-estar. Dedica-se atualmente a mentorias, produção de livros, formações e cursos focados em suas áreas de atuação. Colunista da EA “Carreira e bem-estar”.
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