Por Heloísa Ramos

 

Prazer! Sou a Helô, no currículo o meu nome vai completo com todos os meus sobrenomes, as empresas que já representei, os períodos que por lá estive, as frentes que liderei. Porém, nesse espaço da EA, desejo que tudo isso fique secundário e eu seja para você, somente a Helô.

Isso porque não se troca confidências com quem não se tem intimidade, não é mesmo?

Já tive a oportunidade de ser o RH do RH, lembro que nessa formatação o próprio RH ficava sem um outro RH, a instância acabava por ali mesmo.

Então, fique à vontade porque agora você encontrou seu grupo de afinidades profissional.

Quando recebi o convite da EA para me juntar ao time e ser a nova colunista dedicada ao público desse grupo de profissionais, meu primeiro desafio foi de nomear a coluna.

Lembrei dos encontros intimistas que tenho participado junto a outros colegas de RH, e o quanto nas conversas paralelas, esses profissionais unidos a outros com o mesmo espelho de responsabilidades, em diferentes organizações, se sentem pertencidos, e conseguem compartilhar (com toda a ética) os desafios das atuais posições.

Por ser recorrente esse bem-estar, resolvi propor esse espaço para trazer temas que são sentidos, mas muitas vezes não podem ser expressos em público devido a posição ou instituição que representamos.

O objetivo da coluna é conseguir evidenciar não só os desafios externos do RH, mas os desafios internos, e promover um grupo de afinidade que a partir dos bastidores de uma escuta empática, seja possível compartilhar temas de maneira segura, e sempre que possível, oferecer perspectivas que possam ampliar oportunidades para co-criações de soluções.

Para inaugurar a coluna, escolhi o ainda o polêmico trabalho: presencial, home office ou híbrido.

Apesar de todos os males que a pandemia trouxe, esse parece ter sido o grande salto de mudança de comportamento do mundo do trabalho, não é mesmo?!

Se isso é uma verdade, parece que a evolução chegou e não estávamos assim tão preparados. Não digo do ponto de vista tecnológico, ou, a respeito do investimento repentino que as cias tiveram que realizar em notes, plataformas e outros sistemas de segurança para viabilizarem a mudança abrupta do universo físico para o virtual.

O RH ainda está em uma corda bamba
Me refiro a cravar decisões e governanças a partir dessas mudanças. Passados três anos, o RH ainda está em como adequar essa realidade do formado da jornada de trabalho do seu quadro de profissionais ao contexto da empresa. O que parecia ser algo aparentemente fácil, ainda apresenta bons desafios práticos e com diferentes prismas:

  • Entre os líderes o indicador dos resultados é o grande componente do tema aparecer. Se os resultados estão inferiores ao desejado, o tema ganha força e é retomada as discussões de aumentar os dias de trabalho no escritório ao invés do home office, como uma alternativa de melhorar a “gestão” dos atingimentos das metas.
  • No processo de seleção ele aparece com a dicotomia de atrair talentos, só que para atuação presencial, desafiando o recrutador a influenciar o candidato a evoluir na conversa enquanto os concorrentes parecem praticar o formato 100% remoto.
  • Políticas descrevem modelo híbrido, mas com regimes fixos de datas, que inclusive contemplam idas obrigatórias ao presencial nas segundas e as sextas feiras, com receio da evasão de agendas dos seus profissionais nessas datas, em virtude de “deslocamentos”de pré ou pós finais de semana.
  • Deliberações livres de dias fixos que tem deixado o facilities em total desequilíbrio da oferta e procura com oscilações de total disponibilidade as superlotações do espaço físico, e com consequência da manutenção dos ambientes comuns e disponibilidade de vagas livres no estacionamento.
  • Do ponto de vista de muitos colaboradores, acrescenta-se o desconforto sonoro com tantas reuniões virtuais acontecendo ao mesmo tempo, só que no ambiente presencial, o que classificam como uma verdadeira torre de Babel.
  • E como ninguém nunca está satisfeito, mesmo a liberdade máxima da escolha do formato e agenda dos líderes de cada uma das áreas, causa desassossego. Existem comparações de uma diretoria como sendo mais benéfica do que a outra, seja porque realiza encontros recorrentes no presencial ou porque deixa o time praticamente fixo no virtual.

Certamente esses são só alguns dos cenários que os RHs têm se deparado, e procurado em paralelo de maneira discreta identificar o quanto eles fazem parte da estatística e identificar benchs que os ajudem a influenciar processos de evolução dessa temática.

Certamente a resposta não virá formatada, está condicionada a interdependência do nível de maturidade da Cia… não só o financeiro, mas o climático, o da liderança, o perfil da carteira de clientes, a pluralidade ou diversidade do seu quadro de colaboradores, entre outros.

Por isso, cada organismo corporativo deverá buscar referências, mas concluir por adotar a melhor estratégia, a que for possível, para o momento que a organização esteja vivenciando.

Algumas oportunidades:

  • Aplicar de maneira cíclica uma pesquisa quantitativa e qualitativa para avaliar a adesão dos profissionais ao formato vigente.
  • Instituir Comitê de Representantes diversos de diretorias e responsabilidades para identificar perspectivas com menor filtro e maior transparência a permanência ou adequação do modelo atual.
  • Realizar agendas com os parceiros especializados em ambientes de coworking para avaliar como esse tema tem sido estudado e compreendido no cenário atual e futuro do trabalho.

Ao concluir o diagnóstico dos pontos acima, considere compartilhar a responsabilidade dos prós e contras com o coletivo, não somente lideranças, mas ampliá-los para rede de influenciadores internos, provendo se necessário customizações e decisões com maior consistência e profundidade a partir do organismo do negócio e dos motivadores das pessoas na sua empresa.

Espero ter conseguido por meio desse artigo evidenciar que temos corporativamente que sair do lugar de RH Ideal para RH Real, e reconhecer que nossas dificuldades se reproduzem em outras instituições, mas que é possível encontrar uma rede disposta a acolher, evidenciar e buscar alternativas e soluções.

Obrigada pela confiança e até as próximas Confidências do RH!

 

FOTO BIO

Heloísa Ramos é executiva com 15 anos de experiência em Gente & Gestão e ESG tendo atuado em marcas players como ProPay, Fintech Magalu (Hub Fintech), Dotz, Contax, Claro Brasil, Vivo e Certsys Tecnologia da Informação. Finalista RH Mais Admirados do Brasil pelo Grupo Gestão RH e Colunista do Mundo RH. Palestrante eco-autora do livro “Mulheres do RH 2023”, editora Leader. Mentora voluntária de carreira para mulheres da ABRH, IVG e ONG Cruzando Histórias, parceira da aTip para Neurodiversos e Neuro atípicos e madrinha do Instituto Amor em Mechas para Mulheres com Câncer. Colunista EA “Confidências do RH”.

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